Hoje já fui fazer a minha caminhada, estou decidida a mudar os meus hábitos e tornar-me mais saudável, no inicio foi difícil, o esqueleto estava com muita ferrugem, mas agora já melhorou. Sempre achei que se não tivesse companhia, não iria conseguir aguentar-me muito tempo, mas a verdade é que agora até prefiro faze-lo sozinha, o tempo em que estou a caminhar tornou-se um tempo só para mim, que me pertence e que só permito pensar no que me apetece, esqueço tudo o resto. Sinto-me muito mais leve, e isso é bom, muito bom!!

“…quando ia treinar passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantam-se muros negros à minha volta. Inofensivo o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha mercê. No início, tinha treze anos e corria porque encontrava o silêncio de uma paz que julgava não me pertencer. Não sabia ainda que era apenas o reflexo da minha própria paz. Depois, quando a vida se complicou, era tarde demais para conseguir parar. Correr fazia parte de mim como o meu nome…”
ResponderEliminarPalavras de José Luís Peixoto in "Cemitério de Pianos"
Palavras maravilhosas, nunca conseguiria escrever assim... muito obrigada, apenas gostava de saber a quem as devo agradecer!
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